História de própria autoria

Anjos existem....


Era o que Haruko ouvia da mãe, Haruko era uma doce menina de 8 anos, seus doces olhos mel eram divinos, enquanto seus cabelos loiros claros transmitiam paz, a menina vivia em um vilarejo comum perto de um bosque sombrio que foi apelidado de Solidão pela vila já que era silencioso e tinha uma aparência morta, apesar da mata vibrante, ninguém nunca teve coragem de entrar lá, ninguém antes de Haruko que adorava correr atrás das borboletas que adentravam lá. A tal frase "Anjos existem" era comum na vila, a mãe de Haruko contava outra vez a lenda local para a filha "Dizem que a séculos, está vila que conhecemos agora era atacada por demônios com frequência e um anjo vendo o sofrimento do povo, resolveu fazer algo, chamou mais alguns anjos e foi até a vila, sendo vista pela primeira vez pelos humanos, e com uma magia poderosa conseguiu selar os demônios em uma ampulheta, que os anjos transformaram em areia e espalharam pelo ar. Como forma de agradecimento os moradores convidaram os anjos a morarem na vila. Sempre se deram muito bem, as duas espécies viviam em paz. Porém a ganância do homem sempre era maior, foi criado o desafio de cortar as asas de anjos para vender, como eles eram uma espécie mágica, aquelas asas com penas valiam muito, foi se imposto uma classe, quem tivesse mais asas seria mais rico, só avia uma exceção, asas douradas valiam 3 comuns, então se alguém tivesse quatro asas douradas, seria mais rico que alguém que tivesse 9 asas comuns, isso causou uma guerra entre os seres, essa guerra durou anos, até que os humanos criaram uma arma que é capaz de matar um anjo com facilidade, um arco-e-flecha de ferro que tivesse a ponta molhada com um veneno de sangue de cordeiro e uma flor de origem desconhecida, os anjos restantes tiveram que recuar para o bosque. Algumas pessoas diziam ouvir o choro dos anjos que perderam amigos e família, era assustador. A lenda diz que os anjos ainda existem e moram no bosque ao lado."
Contava a mãe toda noite.
"Mãe! Essa história é real?" Perguntava a pequena curiosa.
"Não tem como saber Haruko, é uma lenda."
Haruko queria muito saber se era real, também não entendia por que as pessoas falavam coisas macabras do bosque, para ela era tudo tão lindo.

Um bom tempo se passou e Haruko tinha seus 13 anos, era uma bela moça de coração gentil. Ainda frequentava o bosque, mas só para buscar água para a mãe cozinhar...
Certo dia a jovem foi buscar água para a mãe como sempre, quando estava enchendo o pequeno balde de madeira ouviu uma bela voz cantando e resolveu segui-la, acabou chegando um uma parte mais aberta do rio, havia uma figura de corpo humano com dois pares de asas, um par maior que ficava no centro das costas e o menor que ficava logo abaixo, Haruko não conseguiu ver o rosto da figura, mas parecia uma mulher pelo cabelo longo. A criatura dançava em cima da água, como se flutuasse. Quando a figura iria se virar, Haruko saiu correndo com certo receio.
Na vila ela contava para as pessoas sobre a estranha criatura, muitos apenas a ignoraram ou a chamaram de louca, foram poucos que acreditaram. Quando voltou para casa percebeu que esqueceu o balde, a mãe não deixou voltar pois já estava ficando tarde, então comeram alguns frutos que tinham na casa.

De manhã quando foi para o bosque viu o balde deitado com algumas amoras dentro ficou curiosa, se aproximou e viu uma espécie de papel com um recado "Você esqueceu isso ontem, cuidei para você, as amoras são frescas, estão doces. Assinado: 캬라."
Como esperado Haruko não entendeu a assinatura então apenas comeu as amoras no caminho, realmente estavam doces, chegou em casa com o balde mas não disse nada para mãe, avisou que iria sair e foi para o bosque, onde estava a criatura da última vez e gritou:
"Ei! Criatura que estava aqui ontem! Pode aparecer?"
Uma luz branca pequena rodou em volta de Haruko depois saiu, Haruko que era curiosa e não tinha medo seguiu a luz sem ver onde estava indo, como não estava vendo onde caminhava acabou tropeçando em uma pedra o que fez ela cair no chão, algo tampou a luz da loira,
"Você está bem? Se machucou?"
Quando Haruko levantou a cabeça para ver a pessoa que estava falando, era um anjo, uma garota que aparentava ter a idade da Haruko, tinha longos cabelos brancos com fios dourados, olhos amarelos que Haruko podia jurar que brilhavam e os dois pares de asas brancas, o que fez Haruko se certificar que era a criatura de antes, ela se sentou e ficou olhando para o anjo, até que fala:
"Eu sei que você é o anjo de ontem...Qual é o seu nome?" 
"Kyara...E seu joelho está ralado, me siga, vou tratar dele."
Haruko estava tão curiosa que esqueceu que estava falando com a lenda que mais gostava.
 Quando elas pararam de andar, Haruko lembrou disso, então enquanto Kyara enfaixava a perna ralada dela, Haruko fazia várias perguntas, isso deixava a anjo tonta, assim teve que enfaixar o joelho da garota várias vezes pois se confundia.

Kyara contou sobre como funcionava o sistema deles 
"Se as suas asas forem douradas, você é importante mas se as penas de suas asas de baixo forem douradas também você é mais importante que todos. Isso não passa de uma mentira, é apenas uma lei boba inventada pela princesinha perfeitinha da rainha!" 
Kyara disse as últimas palavras em um tom de voz fino, o que fez a humana rir, mas se calou um pouco para pensar, ela abre levemente a boca para falar:
"Por favor, não se sinta ofendida, mas na vila dizem que anjos em sua forma final tem olhos totalmente dourados que brilham fortemente, quatro braços e as asas menores crescem para ficar como as outras duas e a ponta dos dedos ficam pretas, é verdade?"
A anjo riu balançando as asas fazendo vento, em meio aos risos ela ofega e diz:
"Quem te contou isso? Anjos não tem 'forma final', somos assim mesmo, só crescemos como os humanos. As duas conversavam e riam muito até que se escuta uma voz irritante gritando:
"Saiam da frente plebeus estúpidos! Eu quero ver minha mãe!"
Kyara rapidamente bateu as asas forte o suficiente para jogar Haruko em uma moita espessa, em um sussurro diz a garota
"Fique ai parada...Não quero arranjar problemas..."
Haruko engoliu seco e ficou imóvel, sem fazer nenhum barulho. A menina que deu o grito continuou a andar, Haruko viu a menina, parecia ter em média 11 anos, pares de asas dourados, cabelo e olhos eram apenas castanhos "Sem graça" Sussurrou a humana. As coisas entre Kyara e a garota pareciam tensas, Kyara encarava os olhos da menor com uma expressão neutra enquanto a outra olhava para a de olhos amarelos com raiva:
"Por que não vai dançar na água novamente? Ah! É mesmo! É por que eu ameacei cortar essas asinhas comuns se tirasse meu público de novo!" 
A garota mais nova começou a rir, Kyara olhava aquilo com desgosto, de tanto ser perturbada pela mais nova revirou os olhos e disse em tom seco:
"Não enche Catrina, e eu devo ter tirado seu público por que até uma pessoa fazendo movimentos improvisados e cantando algo é mais interessante do que ouvir uma criança mimada de 11 anos achar que manda em tudo."
Todos olharam para Kyara surpresos com a ousadia, podia se ouvir alguns anjos comentando sobre a coragem dela, outros zombando de Catrina que ficou sem reação. Haruko por sua vez, colocou a mão sobre a boca para não rir. Catrina percebeu um movimento no arbusto e jogou Kyara para o lado com a asa.
"O que temos aqui? Está escondendo algo Kyara?"
Em um puxão Catrina tirou Haruko da moita, todos olharam surpresos. Catrina não disse nada apenas sorrio e saiu andando arrastando Haruko que se debatia, Kyara correu atrás das duas, até elas chegarem no palácio, especificamente na sala em que a mãe de Catrina ficava. Ela entrou na sala balançando aquelas asas douradas.
"Mamãe! Parece que Kyara quebrou outra regra..."
Disse Catrina rindo silenciosamente, mas foi o suficiente para Kyara ouvir, já que tinha orelhas sensíveis. 
A mãe de Catrina, Safira era um amor de pessoa e sabia das maldades da filha então apenas deixava criar as leis que queria, quando alguém iria ser julgado pelas as leis sem sentido de Catrina, Safira explicava o ocorrido para a pessoa e libertava ela.
"Querida...Kyara te atrapalhou outra vez?"
Perguntava a mãe que já sabia a rivalidade entre as duas aladas, Catrina olha para Kyara depois para a mãe e diz gabando-se:
"Também, mas ela fez algo que você não vai gostar nada!"
Catrina fecha as asas revelando Haruko que olhava assustada para Kyara sem saber o que fazer, Safira se levanta e vai até as três, rodando elas.
"Catrina se retire."
A morena obedece e sai, dando um sorriso maldoso para Kyara. Safira olha para as duas e diz:
"Kyara...Sei que você sabe que desobedeceu a  lei mais importante: Não trazer nenhum humano para o reino. Por que fez isso?"
Kyara se abaixa em forma de respeito e diz em voz trêmula:
"Rainha, a garota estava vulnerável, estava machucada, não queria deixá-la sofrendo, eu trouxe ela para cá porque tinha a certeza de que era inofensiva, não me atacou ou fez algum mal a mim. Perdão vossa alteza!"

Quando escrevi essa parte da história pela primeira vez, ouvia o refrão da música Partners in crime-Speed-Up e achei que combinou, então fica a dica para quem gosta de ler com música.
Kyara implorava, Haruko queria fazer algo, mas era apenas uma humana frágil. Safira suspirou, não queria punir Kyara, gostava muito dela, depois de pensar um pouco diz:
"Guardas! Prendam Kyara e matem a humana."
Haruko começou a chorar, não queria morrem, não agora. Kyara vendo a situação da amiga se irritou, então em um movimento ágil pegou a amiga pelos braços, abraçou ela e saiu voando em uma velocidade surpreendente, como era menor conseguia desviar dos pilares, Haruko achava incrível o fato de estar voando, Kyara suiu em uma árvore, os guardas passaram reto.
"Para onde vamos?"
Perguntou Kyara, Haruko abriu um sorriso largo e disse:
"Vamos para minha vila! Você pode ficar na minha casa!"
"Mas e se me verem? Vão querer tirar minhas asas..."
Diz Kyara com medo, Hanako acalma ela. Para não verem Kyara elas entram pela janela da casa de Hanako, como era pequena Kyara bateu a asa na borda da janela durante a aterrissagem fazendo um estouro alto ,a mãe de Hanako vai correndo para o lugar e vê a filha no chão, tinha alguém no lado dela quando a mãe vai ver, era uma figura feminina, longos cabelos espalhados no chão, um rosto angelical que murmurava, a figura tinha a mão direita nas asas.

Depois da mãe de Haruko correr com uma peneira atrás de Kyara que voou até o teto, Haruko explicou o que aconteceu, a mãe ficou com dó do anjo e deixou ela ficar na casa, digamos que no inicio elas não se deram muito bem mas depois de duas semanas a mãe da jovem começou a considerar Kyara como sua filha. Em dois meses Kyara convivia normalmente entre a vila, era muito útil para pegar frutas em locais altos e as crianças amavam quando ela voava com elas nas costas.

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